O Panorama e a Questão da Estrela
Por muito tempo, os fãs de Saint Seiya – Os Cavaleiros do Zodíaco – esperaram pela volta da série no século XXI, aquela que começou a ser exibida em 94 na Rede Manchete. E quando ela veio novamente, com o trecho Santuário da Saga de Hades, foi avassalador: Animação de primeira qualidade, uma história fantástica e emocionante, confusão sobre o que é o bem e o que é o mal, profundidade... Enfim, tudo o que um fã espera da série como um bom revival. O efeito nos seguidores de “Seiya e os outros” (hauhauahua!) foi igualmente enorme.
A continuação da história se daria no lançamento da fase Inferno, posterior à então fase Santuário. A essa altura, alguns fãs já tinham lido o mangá; Afinal, o que aconteceria depois de tantas lágrimas e sangue? Depois de tantas mortes importantes, como a de Shaka de Virgem, o que estaria por vir? Haja coração e paciência para esperar tudo. No mangá, a fase Inferno dá a impressão de que, se a história não é nada de genial ou de absoluto, o aspecto visual e a emoção poderiam tomar o lugar da agilidade da fase anterior, fazendo com que os Cavaleiros superassem mais uma barreira. Mesmo sem ser diferenciado em nanquim, fez crescer a expectativa. Quando uma série tem estrela...
Seja a explicação qual for, o que aconteceu na prática foi o oposto. A fase inferno teve uma péssima animação. A história não teve a inteligência e as variações de enredo (diferenciações do mangá, que quase sempre tornou a história melhor e mais imprevisível) da fase santuário, o traço era simples demais. Quase o Shippuuden!
A fase tinha duas metades, Zenshou e Koshou (os seis primeiros episódios e os seis últimos, respectivamente). A primeira era a pior. Sequer era possível ver resquícios da boa animação, traços e agilidade, nos próprios personagens. No enredo, então, nem se fala. A segunda apresentava uma sensível melhora na condução, mas por abusar de técnicas batidas que fazem o favor de atestar a falta de recursos utilizados pro expectador, continuava mantendo a série no mesmo inferno – Com o perdão do previsível trocadilho. Ah, e tão previsível quanto, também.
Elíseos veio e manteve o padrão do final da fase inferno, no geral. Pouca emoção, mas alguma tentativa de ao menos disfarçar problemas óbvios demais. Melancolicamente, Hades foi destruído e a Terra estava a salvo. Era “o fim de Seiya”? Em partes, pois os neomangás Shounen de Cavaleiros do Zodíaco, à época, já deixavam claro que havia uma tentativa de extensão do momento zodiacal: O Episódio G, desenhado por Megumu Okada e de cunho um pouco mais sério no enredo, contando a saga dos grandes Cavaleiros de Ouro antes da reviravolta de Saga; E o The Lost Canvas, desenhada por Shiori Teshirogi e contando novamente uma história contra Hades. Obviamente não se tratava da mesma coisa, mas sim daquela da era anterior à de Saori, Julian Solo e cia. Esse mangá não era de todo o ruim, mas nem se aproximava de toda aquela magia da saga clássica de Masami Kurumada.
Ao contrário do que eu, Slip, esperava, o então Lost Canvas foi a primeira animação da nova safra de CdZ a surgir no cenário. Hades, de novo? Não houve um erro de estratégia, aqui? Bom, você responde, eu sigo.
Hoje visitei o Haitou, e me deparei com um primeiro torrent da série, com as legendas em português fora do arquivo e tudo o mais. Saint Seiya
Aprendi há tempos, e compreendi ainda melhor hoje, que judiar do fã é a mais incoerente coisa que existe. Acontece que, não que o Lost Canvas, especificamente quanto ao visual, seja ruim: O trabalho anterior, de Hades pós-Santuário (portanto, Inferno e Elíseos... não se perca!), é que era realmente terrível.
Eu vejo uma grande melhora na mobilidade dos personagens, nas tomadas, nas faces, nos detalhes. E não é absolutamente nada de absurdo: Ergo Proxy, que tem um visual original e apenas “muito bom”, dá vinte surras de pau mole em quase todos os quesitos. Novamente: Nada demais, apenas bem acima da média para CdZ. E aqui mora o problema.
Ao colocarem a qualidade de Saint Seiya e até mesmo a sua repercussão em estamento inferior ao da maioria dos animes, os produtores e envolvidos na criação do anime clássico feriram, seja pelo motivo que for, as pessoas que fazem justamente a série ser o que é. Já ouviram falar na Ação e Reação, de Newton?
"Agora vão pagar mais caro", você pensa, né? Pois é, nem disso se tem certeza.
Não repare, mas é que, quando uma série tem estrela...

0 comentários:
Postar um comentário
Seu comentário será moderado. É de bom grado que você se identifique, embora tal coisa não seja absolutamente obrigatória no sistema Blogger.